Replay #03 – Sunday Bloody Sunday

Música Publicado em 16/03/2016 por Jaapis
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Hora de pegar os fones novamente, aumentar o volume e parar para refletir. Hoje é dia de: Sunday Bloody Sunday.

Nos últimos tempos o brasileiro tem cada vez mais se envolvido com política. Em meio a piadas, textões e muita rivalidade temos visto cada vez mais dualidade entre o povo brasileiro. Todo esse avanço por um Brasil mais justo, com menos corrupção, com mais igualdade é algo lindo de se ver. Porém, como tudo no mundo, tudo é constituído por um ponto de vista e cada pessoa tem o seu. Cada um defende o que considera ser o melhor sob a sua própria ótica. Todo mundo se enxerga no “lado do bem”, no “lado justo”, mas por muitas vezes a radicalidade acaba falando mais alto e o emocional e o partidarismo falam mais alto que o racional e o bem comum.

Acho incrível como hoje todo mundo parece entender de política, muita gente engajada, mas os extremismos tem me preocupado um pouco. São pessoas que não toleram o outro lado, que xingam, que ameaçam, que cultivam o ódio. E ódio é um catalisador muito forte para a irracionalidade e violência.

A relação com a situação política brasileira e a empatia

Toda obra de arte pode ser extraída de seu âmbito do entretenimento para nos levar à reflexão. Muitos até defendem que essa é a definição de arte, mas tudo isso não está na minha capacidade para se discutir. O que eu extraio de tudo isso é que todo radicalismo, toda essa binarização que temos visto no Brasil não está seguindo na direção da “Ordem e Progresso” pregada na linda bandeira de nosso país, mas sim tem se polarizado cada vez mais o próprio povo e o grande problema é que polarizações sempre saem do campo da racionalidade e entram no fanatismo cego.

Não precisamos ir muito fundo nisso para podermos observar isso. Vocês que acompanham o Choconatos sabem como são as brigas entre Sonystas e Caixistas. Sabem como é a briga entre Android e iOS. Firefox, Chrome. Pokémon e Digimon. Eu poderia ficar aqui até o final do ano e isso não ia acabar. Tudo isso é bem mesquinho, pois estamos falando de defender uma empresa que nos vende um produto de consumo para nosso entretenimento. Em muitos pontos os diálogos são respeitosos e construtivos, mas em sua grande maioria são cheias de ódio, cutucadas, só falta mesmo pegar o objeto mais próximo para partir para a ignorância. Imagina então quando estamos falando sobre todas as crises do nosso país.

Tudo isso por alimentar o ódio daqueles com opinião adversa. Mesmo que, no fim, todos desejemos um lugar melhorar para viver. E esse ódio é alimentado todos os dias até que um dia chegue o estopim e tudo se exploda e morra algum inocente.

Muito se fala sobre empatia hoje em dia. Já ouvi essa palavra tantas vezes que ela já perdeu seu sentido. Muitos falam, mas pouco agem dessa forma.

Aqui está um vídeo bem legal sobre o presidente Obama falando sobre a empatia. Não encontrei o vídeo com legendas em inglês, se alguém souber, contribua com nossos amigos em nossos comentários.

O que foi o domingo sangrento?

Este foi o nome dado ao incidente que ocorreu em Derry, na Irlanda, no dia 30 de janeiro de 1972, em que a poplução se unia para uma marcha pelos direitos civis. O grande problema é que eles foram atingidos por tiros do 1º Batalhão de Paraquedistas Britânico.

Todo o desastre começou com a represália do Batalhão quando os manifestantes começaram a jogar pedras em uma barricada dos militares  que continham a manifestação. Treze pessoas foram mortas na hora, incluindo 6 menores de idade. Uma faleceu semanas depois devido aos ferimentos e duas foram atropeladas por veículos militares.

Essa foi uma ocasião em que pessoas lutavam pelo que achavam ser certo e por uma cadeia de erros, de ambos os lados, acabou se tornando uma tragédia em que civis foram brutalmente assassinados.

Erros e mal entendidos levaram até o terror da violência.

Sobre a música

U2 é uma banda irlandesa e com toda certeza foi impactada com o fatídico “Domingo Sangrento”. A música toda descreve as cenas de violência e desespero. A violência. E canta incessantemente em seus refrãos:

How long?
How long must we sing this song?
How long
How long?
Cause tonight we can be as one
Tonight

A bateria da música o tempo todo ecoa como marchas de exército, muitas vezes podemos imaginar cada batida como um tiro de uma metralhadora. Incessante, forte, seca. Acompanhada pelo mesmo sentimento por todos os outros instrumentos. A melodia, no entanto, não é triste. Ela denota um ponto de esperança. A esperança de que essa seja a última música de desgraça e tragédia.

Então até quando iremos precisar cantar músicas sobre tragédias, violências, injustiças e ódio? Letras inspiradas em situações reais, com pessoas reais, com mortes reais. Neste post eu quis dar um destaque sobre o sentimento de ódio que a internet emana. Destacando os acontecimentos políticos dos últimos dias. Que eles não cheguem ao ponto da brutalidade, da irracionalidade.

Porém não é só para isso que nós precisaríamos entoar essa música, mas também para todas as injustiças que ainda prevalecem. Sejam elas raciais, sociais, opção sexual. Por todo esse ódio.

Para que um dia músicas como esse sejam apenas distantes lembranças de tempos brutais e que exista mais respeito, mais igualdade e mais EMPATIA.

No fim, esse post não vai mudar a opinião de ninguém. Você não vai subitamente fazer alguém amar seu inimigo, mas espero que possa ter ao menos ajudado a parar e pensar em como o mundo está. Como as pessoas estão e se você também não está alimentando o ódio dentro de você.

Você não precisa sair por aí amando todo mundo, mas saiba respeitar e entenda a dor deles. Entender é o mínimo que você pode fazer, pois nunca saberá o que os outros realmente sofrem.

– – – – – – –

Replay é um quadro sobre música em que a Glízia e eu, o Japa, iremos alternadamente, uma vez por mês, sugerir alguma música e falar um pouco sobre ela! A terceira edição foi minha vez e mês que vem aguardem o post da Glízia!

Para comentários, sugestões e críticas, fiquem à vontade em nossos comentários! Muito obrigado pela sua atenção e até a próxima!

 Fontes: http://whiplash.net/materias/diaadia_fatos/054688-u2.html

https://en.wikipedia.org/wiki/Bloody_Sunday_(1972)

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