Precisamos Falar Sobre o Kevin, Lionel Shriver

Cinema Publicado em 30/06/2016 por Glizia
Sem Comentários

Um dia alguém vai entender como que eu amei esse livro. Dá vontade de esfregar ele na cara de tanta gente, de tão bom que ele é. E se você quiser saber mais sobre o livro é só entrar em www.choconatos.com 😉 5🌟 /favoritado

Uma foto publicada por Glizia (@naishall) em

Livro no Skoob  ●ω● ★ ★ ★ ★ ★

Quem assistiu ao filme Precisamos Falar Sobre o Kevin não sabe o que está perdendo não lendo o livro que serviu de inspiração para o filme. Na medida certa, esse livro traz todas as informações que faltavam para deixar a história ainda mais clara e mais crédula.

Um compilado de cartas de Eva para o marido, pensando e julgando tudo o que aconteceu em sua vida, desde o seu casamento e como ele foi, até as conversas e ações que teve com Kevin na prisão, trazendo de volta tudo aquilo que ela sentiu e passou durante todo esse tempo.

O livro passa uma veracidade que me faz acreditar que esse massacre e essas personagens são reais, e que um dia eu ainda verei um programa do tipo Por onde anda Eva Katchadourian?, mostrando ela livre de todas essas amarras e com seu filho ainda preso, porque né?

Questionando-se o tempo todo sobre o seu papel como mãe na criação de desenvolvimento de Kevin, Eva revive todas as suas lembranças, numa viagem de auto conhecimento, principalmente no período que escreve as cartas, já que não possui mais um marido e seu único laço afetivo está numa cadeia por ter matado professoras e estudantes de sua escola e não quer vê-la nunca mais.

Percebendo os relatos de alguém que nunca desejou ser mãe, é possível entrar na discussão sobre como as pessoas cobram muito uma das outras por coisas que não sabem nem 10% do que acontece na vida delas. Você precisa sair do ensino médio e fazer a faculdade que vai te dar o seu emprego pelo resto da vida. Você precisa ser a melhor da sua sala. Você precisa ganhar bem. Você precisa namorar. Você tem que casar ( afinal, são tantos anos de namoro, onde já se viu falar que não quer casar?). Você precisa ser a melhor esposa do mundo. Você precisa dar filhos para o seu marido. E a Eva sucumbe a tudo isso.

Porém, o que eu mais queria comentar aqui é como a criação dos filhos sempre cai na responsabilidade da mãe. Franklin tem tanta culpa quanto Eva por Kevin ter se tornado quem se tornou. E ao mesmo tempo eles não possuem uma forma de controlar a personalidade do filho para que ele não se torne quem se tornou. Mas caímos no mais conhecido clichê de que apenas a mãe quem deve ser responsabilizada por Kevin. Franklin pode ficar tranquilo.

O pai de Kevin, também conhecido como Franklin, invalidava Eva a todo tempo e endeusava Kevin. Aquela velha história de falar que a mulher está ficando maluca, que o filhinho querido dele nunca faria ou pensaria numa coisa dessas. Tudo o que sua mulher tentava proibir Kevin de fazer, ele deixava no mesmo momento. Eva se apagou aos poucos, ao mesmo passo que Kevin crescia e ficava cada vez mais excêntrico, mimado e sociopata.

Ler Eva se invalidando naquele lugar dói. Quando vejo mulheres discursando sobre como deixaram de viver para viver em função dos filhos e maridos, se sentindo inválidas e inexistentes, eu só consigo me sentir muito aflita. Porque quando uma mulher faz isso porque ama, bem, não irei dizer que acho isso injusto. Porém, quando eu vejo uma mulher que não queria isso na vida dela e ela acaba fazendo por vontade de família e marido, eu fico triste.

Não digo que Eva não teve culpa em tudo o que aconteceu, porém jogar a culpa de jovens como Kevin apenas na criação materna, e não culpar também o pai desse ser humano, é no mínimo ser hipócrita.

E esse livro não deveria ser lido como mais uma história de um sociopata, mas sim como algo mostrando como nós não gostamos de mulheres que não desejam ter filhos, e o que pode acontecer quando forçamos essas mulheres a engravidar.

Eu refleti muito sobre minhas escolhas, principalmente sobre a visão que eu tinha sobre criar um filho e toda essa baboseira que nos fazem engolir sobre como devemos educar nossas crianças. E digo que é baboseira porque se você quer mesmo fazer isso você corre atrás de informações e não confia em posts aleatórios pelas redes sociais, e principalmente, não confia muito no senso comum.

Favoritado e mais do que desejado, Precisamos Falar sobre o Kevin entrou para a minha lista de livros favoritos, já que já está na minha lista de filmes favoritos.

A Mare fez um post falando sobre o filme, e se você quiser conferir é só clicar aqui no link.

 

Postagens relacionadas:

Meu vicío de hoje, pode ser o passo pro meu abísmo de amanhã.
Adaptação de Assassin's Creed dá seus primeiros passos e mais novidades da Ubisoft
Helena, romance de Machado de Assis, vai virar mangá.
O que precisamos saber antes de ver Animais Fantásticos e Onde Habitam?
Resenha | O Menino que Desenhava Monstros

0 Comentários

Deixe o seu comentário!

Facebook