OS TREZE PORQUÊS | Livro x Série (Possíveis Spoilers)

Literatura Publicado em 04/04/2017 por Marii
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Não sei como tem estado o Facebook de vocês nos últimos dias, mas o meu está sofrendo da síndrome de “Stranger Things”. Na sexta-feira, a Netflix estreou sua mais nova série, Os Treze Porquês (ou no inglês original, 13 Reasons Why, como a maioria está chamando). Coincidentemente, também na sexta-feira, o livro de mesmo nome foi entregue a mim pelos correios. Comentei com alguns amigos sobre estar lendo o livro, e eles, enquanto viam a série, pediram que depois falasse um pouco sobre as diferenças de um para o outro.
E é o que pretendo fazer nesse post. Ontem, após terminar os episódios da série, senti que talvez esse post não fosse nem de perto o necessário para tratar sobre a série, e sejamos honestos, não é. Mas, para uma série/livro com tema tão pesado e profundo quanto essa, talvez seja bom que você saiba qual das duas plataformas irá consumir primeiro. Novamente, é pesado, já aviso. Há relatos de que a série possa estar até mesmo servindo de gatilho, afinal, é a história de um suicídio e os motivos que levaram Hannah a tirar a própria vida.
Então, antes de continuar esse post, antes de ler ou assistir a série: calma. Se você sentir que está precisando de ajuda, peça, por favor. Entre no site do CCV, ligue para o 141, converse com alguém de confiança. Você não está sozinho.
Agora, vamos voltar ao assunto mais técnico. É claro que a transferência de plataforma, livro para televisão, exige uma certa mudança na história, pela questão narrativa mesmo. Falarei das maiores – e apenas das maiores – diferenças de um para o outro. Até porque, se fosse falar de cada pequeno detalhe que anotei – e realmente tenho algumas páginas com cada pequena diferença -, não sairíamos daqui hoje.
Vou tentar ao máximo evitar os Spoilers nessa postagem, mas talvez acabe falando coisas que, mesmo que eu não considere Spoiler, você acabe considerando, então fica aí o aviso. De qualquer maneira, chega de falação, vamos ao que interessa para essa postagem!

 


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TEMPO

Talvez essa seja uma das maiores mudanças – se não a maior – que há nesta tal troca de plataforma. O livro inteira se passa em apenas uma noite. Chutando alto, eu diria se tratar de um período de oito horas, o tempo que Clay leva para ouvir as sete fitas deixadas por Hannah (7 fitas, 14 lados). Já na série ele leva dias para conseguir ouvir todas, talvez em uma média de uma (no máximo duas) fitas por dia.
Por questões de narração – e para adequar a algumas outras mudanças – a história é retratada aos poucos na série, nos apresentando os personagens aos poucos e nos permitindo ter tempo para digerir melhor (ou não) cada um dos Porquês (e, nessa postagem, vou usar o “Porquê” sempre que precisar me referir aos motivos e pessoas que levaram Hannah ao suicídio).
E acredite, apenas essa questão do tempo já faz uma enorme diferença entre livro e série.

 

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CLAY X HANNAH

Além do tempo, uma das maiores mudanças entre as plataformas foi, com certeza, a relação entre Clay e Hannah. Durante as – quase – 250 páginas do livro, nos é apresentada duas narrações simultâneas: a de Hannah, por meio das finas e no “passado”, e a de Clay, comentando e reagindo à história de Hannah no “presente”. Durante ambas as narrações, algo fica claro: Clay era sim apaixonado por Hannah, mas era um sentimento platônico; na realidade eles mal eram amigos. Essa distância entre as personagens é de extrema importância para o livro – o Porquê.
Já na série eles parecem grandes amigos, de longa data até. E por mais óbvio que seja o sentimento de Clay por Hannah, é um tanto notável que ela retribui. Agora, lembram quando eu falei que a distância entre eles era muito importante para a história – para o Porquê? Não se preocupe. Mesmo mudando algo tão importante, a série soube trabalhar o Porquê com muita eficácia, mantendo o fundo do Porquê original e conseguindo perfeitamente adaptá-lo aos novos sentimentos – e relacionamentos – da série.
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PERSONAGENS

Vamos voltar um pouco à questão do tempo. A série, por não se passar em um período tão curto, abre muito mais espaço para o desenvolvimento das personagens. E é exatamente isso que acontece. Conseguimos entender melhor personagens como Tony, e até mesmo conhecer personagens que mal aparece nos livros ou que são apenas citados, como os pai de Clay e de Hannah. Há também a mudança no nome de uma personagem, que a série abriu mais espaço do que ela teve no livro, mas quanto a esta a personalidade permaneceu praticamente a mesma.
Há também uma pequena diferença em algumas personalidades – ou, pelo menos, em relação ao pouco que o livro nos oferece sobre cada personagem (e o muito que oferece sobre Clay). Chuto que a principal razão para tanto seja a história “pós-fita” que, diferente do livro, a série nos oferece. Porém, por mais que hajam algumas pequenas (ou grandes, depende do seu ponto de vista) mudanças, a série consegue equilibrar muito bem.

 

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PORQUÊS

Uma diferença que, confesso, me incomodou um pouco mais, foi a mudança em algum dos Porquês. Quando começamos a ler o livro, Hannah diz que irá contar a história na linha do tempo necessária. Isso é mudado em algumas partes na série, especialmente para manter o mistério de “o que Clay fez para Hannah?”. Mesmo com essa mudança na “linha do tempo”, ainda é possível entender muito bem tudo o que havia acontecido.
Porém, há mais uma mudança: o próprio Porquê. E aqui eu digo algo com toda certeza: a série é muito mais pesada que o livro. Os Porquês da série são muito mais explorados (novamente o tempo) e um tanto quanto diferentes do livro, se tornando muito mais densos, por assim dizer. Uma das principais diferenças, e provavelmente a maior delas, é no Quinto Porquê, em que mesmo se tratando da mesma personagem em ambas plataformas, as semelhanças entre os motivos são mínimas.

 

É claro que, como eu já disse, as diferenças estão longe de parar por aí, mas se eu for escrever cada uma delas, não sairemos daqui tão cedo. Meu parecer quanto a tudo é: a série é muito mais pesada que o livro, então, se você não quer sentir o peso tão fortemente, leia o livro primeiro.
E lembre que esta é uma história não apenas para que nos atentemos aos sinais que uma pessoa que pretende tirar a própria vida pode oferecer, mas que também nos leva a trabalhar melhor a empatia. Nós nunca sabemos pelo que o outro está passando, portanto é importante que sempre sejamos legais uns com os outros. O que é uma brincadeira para mim pode ser extremamente ofensivo para você. Muitas vezes, durante o livro, Clay repete que “ele não sabia que isso iria te afetar tanto. Se ele soubesse, não faria”. Mas nós nunca sabemos. Então o melhor é não fazer.
Raparem: o mundo está cheio de Hannahs. Vamos nos esforçar para não sermos um Porquê.

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