A Importância da Literatura Fantástica Nacional

Literatura Publicado em 07/02/2018 por Glizia
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Depois de muito tempo eu tentei verbalizar o que estarei escrevendo em texto mas não consegui fazer de forma tão boa e caprichosa como farei escrevendo. É também uma forma de você que está lendo não precisar ouvir minha voz um pouco alterada e com lágrimas nos olhos de emoção sobre o assunto de hoje.

E tudo começa com uma adoradora do gênero fantasia que começou de fato a entrar no mundo da leitura com Harry Potter.

A Fantasia como nós conhecemos

E não me leve a mal, eu amo Harry Potter e sua saga e todo o mundo criado pela J.K. Rowling, mas depois de um tempo eu comecei a me questionar sobre como aquela sociedade bruxa vivia. E é só lendo mais sobre a formação do Reino Unido que dá pra entender porque os bruxos de lá vivem daquele jeito enquanto os bruxos nos Estados Unidos possuem uma outra forma de viver.

E não para com Harry Potter. Se formos pegar Senhor dos Anéis, As Crônicas de Nárnia, todos são livros de autores britânicos que possuem uma carga muito alta da cultura britânica. E isso não é ruim, é uma outra forma de falarmos sobre a nossa sociedade sem termos que dizer com todas as letras quem esses personagens são na nossa sociedade.

Só que estamos lendo apenas livros escritos em outros países, que possuem outras preocupações, diferentes das nossas que vivemos no Brasil. Não podemos dizer com todas as letras que aqui vivemos da mesma forma que alguém que mora em Londres, ou em qualquer cidade dos Estados Unidos. As pessoas são diferentes, os países também.

E como isso acontece no Brasil?

Aqui no Brasil nós temos ótimos nomes quando falamos sobre a Literatura Fantástica Brasileira. Vários nomes podem ser citados aqui como Affonso Solano, Eduardo Sphor, Carolinha Munhóz, Raphael Draccon, Leonel Caldela, André Vianco. Mas deles eu li pouca coisa para poder usá-los como exemplos. São livros fantásticos também. De Solando eu li apenas o primeiro livro do Espadachim e posso afirmar que é fantástico também. ( Em ambos os sentidos da palavra)

Porém o  que eu mais vi acontecer durante um tempo foi só uma cópia da fórmula começada por esses autores sendo reproduzidas no Brasil. Ficava um pouco difícil dizer que essas obras eram de fato brasileiras, sendo que elas não representam em nada o país. E sim, é importante que façamos isso, é importante nós termos a nossa própria identidade.

Um grande exemplo para mim é sobre histórias de zumbi. Existe um livro que eu senti que era apenas uma cópia da formula americana de histórias padrões de zumbis, com pessoas civis que saibam atirar, com uma forma muito mais fácil de se armar, até mesmo na relação entre os personagens. Enquanto li outro livro também brasileiro sobre o assunto e ele foi muito mais crível. Os questionamentos dos personagens faziam sentido para o contexto que ele estava inserido.

Então 2017 veio, e lá no final dele um livro maravilhoso foi lançado. Filhos da Degradação, do Felipe Castilho. Na Comic Con Experience. E não só a história desse livro é maravilhosa, mas a criação de mundo de Utherak, dos personagens, como eles são, como eles agem, é tudo tão… perfeito.

Uma coisa que acontece muito comigo quando eu leio livros em português que são traduzidos, é parar alguns segundos para pensar em como a tradução dos nomes de raças, feitiços e até mesmo de cidades foram feitas. Porque, como já disse, não é uma história que foi criada aqui, ela tem uma criação lógica diferente. E isso as vezes também acontece com alguns livros brasileiros que só importam o formato.

Mas autores como Felipe Castilho e Bárbara Morais ( os únicos dois que li e amei as obras até o momento) eles conseguem criar um mundo fictício, uma distopia e ainda assim eu consigo seguir esse raciocínio brasileiro. A representatividade dentro das obras deles se aproximam da representatividade da nossa sociedade. Com os mesmos problemas, com os racismos e homofobias que nós já estamos cansados de ler em jornais.

E isso é algo maravilhoso de se ter e de ser produzido no país. Falta-se muito a noção de como a nossa sociedade é rica em experiência para falarmos sobre os mesmos assuntos que são discutidos lá fora, aqui nós temos muita coisa boa que pode ser utilizada em nossas obras, que não existe mais a grande necessidade de importar um comportamento cultural para atingir as pessoas.

Alguns livros ainda fazem isso, mas nos reconhecer é um exercício diário que requer tempo e paciência e muita reflexão. Nos reconhecer como país e também compreender a nossa história como um todo é uma atividade que deveria ser cada vez mais estimulada.

Existe muita coisa maravilhosa sendo produzida no Brasil, o primeiro passo que precisamos dar é nos deixarmos conhecer novas histórias, novos autores e novas discussões muito importantes para nós nesse momento.

 

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