A “Survivor” Clarice Falcão e seu cover

Literatura Publicado em 13/11/2015 por Glizia
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Nem acredito que esse post vai conter ainda mais reclamação. Mas sabe como o ser-humano é, não é? Esse ser que nunca está satisfeito com nada e sempre tem alguma coisa para poder reclamar.

Eu queria dizer que esse cover da Clarice veio no momento certo, e não falo só da internet, falo por mim, Glízia. Tudo aquilo que ele apresenta me representa, e se ela está vendendo essa música ( todo o dinheiro irá para a ONG Think Olga) é porque ela comprou os direitos para fazer isso certo?

Então veja a obra prima que saiu hoje na internet:

Da forma como as mulheres aparecem ao batom vermelho. Quem não se lembrou da querida JoutJout explicando situações de uma relação abusiva e pedindo para nunca tirarmos o nosso batom vermelho? Está tudo ali no vídeo, estampado em nossos olhos, pulando para fora da tela. É outra maneira de gritar, de mostrarmos o que sentimos e o que está acontecendo. Mas ainda assim ninguém escuta.

Não estou aqui para dilacerar e interpretar o vídeo. Ele está aí, tire as suas próprias conclusões, e tente, pelo menos uma vez, escutar o que milhares de mulheres tentam falar todo dia na internet. Tente entender esse ponto. Não pedimos que você aprove, ou que você goste, mas pedimos que nos escute.

Está sendo um mês conturbado, devo confessar. Vimos Masterchef Mirim com o caso da menina e do menino que foram expostos à comentários pedófilos. E veja só vocês, a polícia encontrou um dos comentaristas! Tivemos a hashtag Primeiro Assédio, onde mulheres contaram qual foi a primeira vez que lembram de terem sido assediadas, e ler aquilo era horrível. Eram histórias de crianças de quatro ou cinco anos que tiveram contato com algo que, de acordo com a sociedade, a mulher só pode ter contato depois do casamento.

Esse é mais um desabafo, mas ao ver o vídeo eu senti a necessidade de fazê-lo. E eu só quis por ler os comentários do vídeo. Pelo menos até o horário que eu vi, umas duas e vinte da tarde, mais da metade dos comentários reclamavam que a música era um cover e que Clarice nem fez questão de citar o nome da “deusa soberana rainha” Beyoncé. E mais da outra metade reclamava sobre o feminismo e o famigerado “feminazi”.

Será que está tão difícil assim as pessoas pararem para entender o que realmente deveria estar sendo comentado? Será que é tão complicado nós passarmos uns dois minutos depois da música pensando nessas mulheres, no que a música fala, em tudo? Depois desses dois minutos tá tranquilo, volta a reclamar do feminismo, ou ser a favor dele, volta a chamar extremistas de feminazi, ou entrar em uma discussão por mulher que dissemina o machismo.  A vida é sua, faça dela o que você quiser. Mas, por favor, reflita sobre não só esse vídeo, mas tudo que estão compartilhando na internet.

E depois desse texto meio chato, meio maçante, meio tudo o que lemos todo dia em “textão do facebook”, eu só queria deixar claro que esse vídeo é uma das melhores coisas que existe no YouTube 2015.

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